Júlia Lucy volta à alertar para rombo financeiro do Banco BRB
Caso BRB: Ex-presidente troca defesa por especialistas em delação e aumenta pressão sobre Ibaneis
Júlia Lucy alerta para rombo financeiro no banco e riscos reais às aposentadorias dos servidores do DF após revelações de propinas milionárias.
O cenário político e financeiro do Distrito Federal sofreu um novo abalo com a mudança estratégica na defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Preso há cerca de uma semana no âmbito do Caso Master, Costa destituiu o advogado Cleber Lopes — conhecido por sua proximidade com o governador Ibaneis Rocha — e contratou os escritórios de Davi Tangerino e Eugênio Aragão, ambos especialistas em delações premiadas.
A movimentação foi detalhada pela ex-deputada e defensora dos direitos dos aposentados, Júlia Lucy, que aponta para um possível "efeito dominó" nas investigações que cercam o Palácio do Buriti.
As investigações que levaram à prisão do ex-executivo indicam um esquema de corrupção robusto. Segundo as denúncias, Paulo Henrique Costa teria negociado propinas que ultrapassam R$ 160 milhões. O pagamento desses valores teria sido viabilizado por meio de apartamentos de luxo, em uma operação que remonta a 2014.
O cerne do escândalo envolve a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito falsas emitidas pelo Banco Master, o que teria gerado um prejuízo massivo à instituição pública candanga.
Enquanto a justiça avança, a saúde financeira do BRB preocupa o mercado e os correntistas. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada recentemente, acionistas aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,81 bilhões, elevando o capital da instituição de R$ 2,88 bilhões para mais de R$ 11,16 bilhões.
De acordo com Júlia Lucy, a medida é uma tentativa desesperada de gerar liquidez, já que o banco:
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Não conseguiu um empréstimo de R$ 6 bilhões junto ao fundo garantidor;
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Não possui aval da União para novas captações;
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Enfrenta o déficit crônico das contas do GDF, que se arrasta desde o ano passado.
"Quem vai querer comprar um banco quebrado? A União não tem interesse em salvar ou federalizar o BRB, e a privatização é um tema espinhoso diante desse cenário de insolvência", afirmou Lucy em suas redes sociais.
O ponto mais crítico levantado pela defensora é a segurança previdenciária. Lucy alerta que, caso o BRB não consiga se recuperar financeiramente, as aposentadorias dos servidores públicos do DF correm risco direto de "evaporar".
A ex-deputada finaliza com questionamentos contundentes direcionados ao atual governador:
"Até que ponto o governador Ibaneis Rocha está envolvido? Será possível que o indicado por ele para presidir o banco não sabia de nada? A delação premiada que se desenha deve trazer essas respostas que todo o povo do DF quer saber."
Até o fechamento desta matéria, a defesa de Ibaneis Rocha e a atual gestão do BRB não haviam se manifestado oficialmente sobre as declarações de Júlia Lucy.
Para mais atualizações sobre este caso, acompanhe as redes oficiais de Júlia Lucy (@julialucydf).
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