Mulher, Família e Direito: Diálogos sobre Justiça, Equidade e o Combate à Violência de Gênero
Em um debate profundo e necessário, o programa "Mulher, Família e Direito" do Pod Cast EG NEWS, reuniu especialistas para discutir os desafios das mulheres nos espaços de poder, a eficácia das medidas protetivas e as novas faces da violência no mundo digital.
O cenário jurídico e social brasileiro tem passado por transformações significativas, mas os desafios para a plena equidade de gênero e a segurança das mulheres permanecem urgentes. No episódio mais recente do programa, a apresentadora Patrícia recebeu as advogadas criminalistas Ana e Lázara — esta última também gestora pública — para uma conversa que percorreu desde a importância da sororidade até as nuances legislativas do combate à misoginia.
A Força da Coletividade e o Papel do Homem
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de as mulheres ocuparem espaços de poder de forma colaborativa. “Quanto mais de nós lá em cima, mais nós iremos permanecer”, destacou Lázara, reforçando que a ascensão feminina deve servir de ponte para outras mulheres.
O debate também trouxe luz à participação masculina no enfrentamento à violência. Foram citados movimentos como o "Laço Branco" e a campanha "Homem de Honra", que buscam conscientizar homens sobre seu papel na desconstrução da cultura do privilégio e da agressão. Segundo os dados apresentados, grupos reflexivos para homens autores de violência têm demonstrado uma eficácia impressionante, com índices de reincidência que caem para apenas 2%.
Invisibilidade e Novas Formas de Violência
As especialistas alertaram para formas de violência que, por vezes, são silenciadas ou mal compreendidas pela sociedade e pelo próprio sistema de justiça:
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Violência Psicológica e "Gaslighting": A tática de desestabilizar a saúde mental da mulher para fazê-la parecer "desequilibrada".
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Violência Vicária: Quando o agressor utiliza os filhos como ferramenta para atingir e causar sofrimento à mãe.
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Violência Digital e IA: O uso de Deepfakes e inteligência artificial para criar situações de extorsão, difamação ou golpes sentimentais contra mulheres.
O Poder das Medidas Protetivas
Derrubando o mito de que as medidas protetivas "não funcionam", o debate enfatizou que a maioria dos casos de feminicídio ocorre justamente com mulheres que não possuíam o amparo legal ou que foram convencidas a abrir mão da proteção. "A medida protetiva tem um caráter preventivo e pedagógico, protegendo inclusive o homem de cometer um crime maior", pontuaram as debatedoras.
Educação como Caminho para a Transformação
Para Ana e Lázara, a legislação, embora essencial — como o PL da Misoginia e a Lei Maria da Penha —, funciona muitas vezes como um "curativo em uma fratura". A solução definitiva passa pela educação desde a infância, desconstruindo papéis de gênero que limitam o potencial de meninas e normalizam comportamentos tóxicos em meninos.
O encontro foi encerrado com uma leitura sensível do poema "Prisões", de Cecília Meirelles, simbolizando as diversas cercas, visíveis e invisíveis, que ainda cercam a vida das mulheres, e o chamado para que cada uma desperte para o direito de pertencer plenamente à sociedade.
Ficha Técnica:
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Programa: Mulher, Família e Direito
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Canal: EG NEWS – Informação que Conecta
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Participantes: Patrícia (Apresentadora), Lázara (Gestora e Advogada) e Ana (Advogada)