Na eleição decidida por um ponto, Madonna e mais sete estrangeiros escolhem lado
Cantores, bandas e atores de quatro países usaram as redes para se manifestar sobre o segundo turno brasileiro · 23 de outubro de 2026
1 · O que Madonna fez, e o que Madonna compartilhou
A cantora americana Madonna publicou nesta sexta-feira 23 de outubro de 2026 uma mensagem sobre as eleições presidenciais brasileiras, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A publicação foi feita nos Stories do Instagram.
O conteúdo, no entanto, não é de autoria dela: Madonna republicou uma publicação do fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti, que a fotografou para o álbum "Confessions II". A mensagem compartilhada defende a democracia, os povos indígenas, a Amazônia, a educação e a cultura — valores, e não a candidatura nominalmente.
2 · Os oito nomes, e o que cada um fez
O g1 reuniu cantores, bandas, produtores e atores de diferentes nacionalidades que usaram as redes sociais para se posicionar sobre a disputa brasileira. As manifestações vão de vídeos com críticas nominais a compartilhamentos de informação sem declaração de voto.
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Artista |
Origem |
Quando |
O que fez |
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Madonna |
Estados Unidos |
23 de outubro |
Republicou nos Stories publicação do fotógrafo Rafael Pavarotti, que a fotografou para o álbum "Confessions II". A mensagem defende democracia, povos indígenas, Amazônia, educação e cultura |
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Roger Waters |
Reino Unido |
20 de outubro |
Vídeo declarando apoio à reeleição. Critica Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, questiona a relação dos dois com os Estados Unidos e afirma que ela pode ameaçar as riquezas naturais brasileiras. Diz ter conhecido Lula pessoalmente e o descreve como homem honesto. Convoca os brasileiros às urnas no domingo |
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The Strokes |
Estados Unidos |
14 de outubro |
Publicou montagem em apoio à reeleição de Lula |
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Christian Chávez |
México |
Primeiro turno |
Compartilhou nos Stories texto que defende democracia e justiça social, acompanhado da música "Lo Que Le Pasó a Hawaii", do porto-riquenho Bad Bunny. A mensagem dizia: "Força, Lula. Pela democracia, pela justiça social e por um Brasil mais justo, diverso e para todos. A América Latina segue unida" |
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Alfonso Herrera |
México |
Primeiro turno |
Publicou mensagem de apoio um dia depois da votação do primeiro turno. A imagem usada é antiga, registrada durante passagem do grupo RBD pelo Brasil em 2007 |
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Finneas O'Connell |
Estados Unidos |
4 de outubro |
Publicou story fazendo o gesto com a letra L, associado à campanha de Lula, e marcou o perfil oficial do petista. O presidente compartilhou a publicação e agradeceu o apoio |
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Julie Delpy |
França |
Outubro |
Manifestou apoio a Lula em publicação feita em suas redes sociais |
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Leigh-Anne Pinnock |
Reino Unido |
— |
Compartilhou informações sobre a eleição sem declarar apoio a candidato |
3 · Roger Waters: o caso mais explícito, e o mais antigo
Entre os oito, Roger Waters é quem se manifesta com maior detalhamento e maior histórico. O músico britânico, um dos fundadores do Pink Floyd, publicou um vídeo na terça-feira 20 de outubro declarando apoio à reeleição.
Na gravação, critica o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, e o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Waters questiona também a relação dos dois com os Estados Unidos e afirma que essa relação pode ameaçar as riquezas naturais brasileiras. Ele diz ter conhecido Lula pessoalmente e o descreve como um homem honesto, que dedicou a vida ao país. Por fim, convoca os brasileiros a comparecer às urnas no domingo 25 de outubro.
Não é a primeira vez. Waters já havia manifestado apoio ao petista em eleições anteriores, e em 2023 os dois se encontraram no Palácio do Planalto, em Brasília. Das oito manifestações, é a que carrega vínculo preexistente e histórico público — o que a distingue das demais.
4 · Por que esta lista interessa agora
Manifestações de artistas estrangeiros sobre eleições brasileiras não são novidade. O que dá peso a esta lista é o cenário em que ela aparece: o Datafolha do segundo turno, divulgado em 23 de outubro, registra Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 46%.
Em uma disputa dentro da margem de erro, a dois dias da votação, toda manifestação pública de apoio passa a ter valor diferente do que teria em um cenário já definido. Não se trata de medir o efeito eleitoral de um post de Madonna ou de um vídeo de Roger Waters — isso não se mede com os instrumentos disponíveis — mas de registrar que a eleição brasileira entrou na pauta internacional a ponto de nomes de quatro países se posicionarem nominalmente, e a um ponto de diferença.
Vale notar o desenho das nacionalidades envolvidas: Estados Unidos, Reino Unido, México e França. Três dos oito nomes são americanos, dois são britânicos, dois mexicanos — e o mexicano é o eixo mais explicitamente latino-americano da lista, com a mensagem de Christian Chávez encerrando pela unidade regional: "A América Latina segue unida".
Um contraponto que a lista também registra
Nem tudo na mesma manchete é a mesma coisa. Leigh-Anne Pinnock compartilhou informações sobre a eleição sem declarar apoio a nenhum candidato, e Madonna republicou texto de terceiro que enuncia valores sem nomear o candidato. A lista reúne graus distintos de engajamento, do vídeo com crítica nominal ao compartilhamento informativo — e apresentá-los todos como "artistas que apoiam Lula" apagaria essa diferença.
Nota metodológica
Este texto se baseia na reportagem do g1 publicada em 23 de outubro de 2026, assinada por Felipe Fernandes, que reúne as manifestações de artistas internacionais sobre a eleição brasileira. As datas e o conteúdo de cada manifestação estão descritos conforme registrado nessa reportagem. A cifra da pesquisa Datafolha do segundo turno — Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 46% — é referida conforme divulgada na mesma data, sem acesso ao relatório completo da pesquisa. Os trechos entre aspas reproduzem as citações como publicadas pela reportagem.