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Não era para ela aparecer. Era para ele não estar

Por Redação EG News • 23/10/2026 às 17h32 (Atualizado em 23/10/2026 às 18h03) • ⏱️ 7 min de leitura
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PL convida a ex-esposa do deputado, que tem medida protetiva contra ele, para ocupar uma das 30 credenciais da campanha no debate da Globo · 23 de outubro de 2026

 

1 · O convite, e o que ele trava

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) convidou a prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes (Avante), para comparecer ao debate presidencial da TV Globo realizado na noite desta sexta-feira 23 de outubro de 2026, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

Leandra Guedes é ex-esposa do deputado federal André Janones (Rede-MG) — o administrador do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, que na mesma tarde ultrapassou 10 milhões de seguidores. O objetivo do convite, conforme apurado por veículos que cobriram o episódio, não era a presença dela em si, mas o efeito que essa presença produz: vetar a ida de Janones ao mesmo ambiente.

O mecanismo é a medida protetiva. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu a Leandra Guedes, em abril de 2025, uma medida protetiva contra o ex-marido, por supostas ameaças de exposição de fotos íntimas. A restrição impede a aproximação física entre os dois — o que, num estúdio, significa que a presença de um exclui a do outro.

2 · Quem é Leandra Guedes, e o que ela respondeu

Leandra Guedes é prefeita de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, filiada ao Avante. Ganhou notoriedade nacional por dois fatores: a trajetória política municipal e o relacionamento com o deputado André Janones, de quem obteve a medida protetiva em 2025.

Procurada, ela disse estar em viagem e afirmou que ainda iria tomar conhecimento do conteúdo do convite. Perguntada se aceitaria, preferiu não adiantar uma decisão e reforçou que gostaria de saber melhor sobre a mensagem antes de se posicionar.

Não há, até o fechamento deste texto, confirmação pública de que ela tenha comparecido ao debate ou recusado o convite. As equipes de Lula, de Leandra Guedes e de Janones foram procuradas por veículos que apuraram o caso e não retornaram.

3 · A resposta de Janones: a live em vez do estúdio

Janones respondeu pela via que domina. Anunciou no próprio canal "Exército do Lula" que faria uma live para reagir e comentar a transmissão, em vez de comparecer aos Estúdios Globo.

Sobre o formato e o horário dessa transmissão, as fontes divergem. Uma versão registra que ele faria checagens durante o debate e começaria antes do evento. Outra registra que a live teria duração de 24 horas, com início às 23h desta sexta-feira — portanto depois do debate —, e que ele não informou em que local estaria. As duas descrições circulam na imprensa sem que seja possível conciliá-las; o que ambas confirmam é a ausência dele no estúdio.

A campanha de Lula declarou que a decisão de manter Janones fora da Globo visava impedir um constrangimento, após as informações divulgadas na imprensa sobre o convite a Leandra Guedes.

4 · O que a operação revela sobre a reta final

O episódio diz menos sobre Janones do que sobre o peso que a campanha digital adquiriu nesta eleição — e sobre a disposição dos dois lados de operar nesse terreno.

Janones é descrito como peça central da campanha digital de Lula e administra um canal que, na tarde desta sexta-feira, passou de 10 milhões de seguidores depois de fixar no topo a mensagem de que só reabriria ao atingir essa marca. O canal cresceu cerca de 112 mil seguidores em pouco mais de meia hora. É esse ativo que a campanha de Flávio mirou ao convidar sua ex-esposa: não um discurso, não uma presença em palco, mas a ausência de quem o opera.

A resposta foi simétrica. Em vez de disputar o espaço físico dos estúdios, Janones o trocou pelo espaço onde tem alcance — o próprio canal e a live. Nos dois movimentos, o que está em jogo não é a visibilidade no debate, e sim quem controla a conversa paralela a ele.

Há um dado de contexto que ajuda a dimensionar a reta final: o Datafolha divulgado em 23 de outubro registra Flávio Bolsonaro com 47 por cento e Lula com 46 por cento. Em disputa dentro da margem de erro, a dois dias da votação, operações de mobilização e de desmobilização do adversário ganham valor diferente do que teriam em um cenário definido.

5 · O debate

O encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro foi o último antes da votação de domingo, 25 de outubro. Realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, teve mediação do jornalista César Tralli e transmissão pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay.

O formato teve quatro blocos — três com temas definidos e um de tema livre — além das considerações finais, com a ordem das perguntas definida por sorteios ao vivo. Foi o segundo confronto direto entre os dois na campanha, depois do debate da Band, em 18 de outubro. Após a transmissão, os candidatos participaram de entrevistas coletivas de dez minutos cada, com Lula primeiro, por sorteio.

Nota metodológica

Este texto se baseia em reportagens do Terra, do Metrópoles e do UOL publicadas em 23 de outubro de 2026 sobre o convite da campanha de Flávio Bolsonaro a Leandra Guedes, e em reportagens da Folha de S.Paulo, do g1 e do Valor sobre o formato e as regras do debate da TV Globo. A existência e a origem da medida protetiva — concedida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em abril de 2025 — estão relatadas conforme noticiadas pelas fontes consultadas, sem acesso ao processo. As duas versões sobre o formato e o horário da live anunciada por André Janones estão registradas como divergência, sem escolha por uma delas. Não há, no material consultado, confirmação do comparecimento ou da recusa de Leandra Guedes ao convite.